quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sonos conturbados

Manhã. Acordo com o telefone a tocar. Relógio, onde estás? Mato quem quer que seja que me está a obrigar a levantar às dez horas da manhã de um Sábado, da minha caminha! Não há justiça neste mundo. Cambaleio até à cozinha e atendo o raio do telefone, numa voz sonolenta pergunto quem é. Boa, é a Tatiana. Alguém me mate por favor! Ligou a perguntar se tinha o número de um vizinho podre de bom que se mudou para a minha rua à pouco tempo, não tens hipóteses com ele. Esta gentinha que só sabe andar à caça devia ser toda posta num foguete e voar para a Lua, comam-se lá todos! O Homem, coitado, devia estar numa das espécies em vias de ser lixado e morto por estas carniceiras, que neste mundo há imensos casos assim! Não sou puritana, não me acuse nem ofenda que não estou a falar de si… Ou serviu-lhe a carapuça? Bem me parecia… Posso continuar a contar a minha triste e patética vida? Obrigada.
     Desligo e vou tomar um café, não para acordar mas para esquecer o sono. Sento-me na minha mesinha na varanda e saúdo o Sol que me vem dar uma carícia matinal, quase materna. Os meus pensamentos divagam-se e lembro-me que tive mais um pesadelo esta noite, quase nem fechei olho. Será que estou condenada a sonhar com isto para sempre? Estou eu traumatizada até? Sei que foi coisa do passado, mas temo que isso continue bem presente. Alguém me salve! (E era nesta parte que aparecia o meu príncipe encantado e afugentava os meus medos para longe e me beijava loucamente e vivíamos felizes para sempre! Mas isto não é um conto de fadas, enfim… Que tristeza.)
     Com que sonho eu? Devo dizer que não tenho sonhos nada criativos, o cérebro é preguiçoso demais. São apenas derivações de um sonho, sempre o mesmo, um pouco diferente de uns para os outros. As mesmas personagens, os mesmos espaços e o mesmo terror. Eu já sou lunática por Natureza por isso… Não me lembro de todos os sonhos, e ainda bem, mas sei que os tenho! Acordo como se tivesse sido perseguida por um bando de atletas olímpicos, assustada, cansada, e suada. É uma imagem bonita de se ver não é? É um espectáculo de vida! Vivo sozinha com o meu gato Luna (tem nome de gata porque a princípio pensei que fosse femea, mas estava enganada) e ando a estudar para bióloga. Daí morar bem perto de um bosque. Vive la Nature! Acho incompreensível e muito deprimente ainda temer estes monstros demoníacos do passado, vocês que estão a ler isto, cambada de elefantes! Tenho medo que voltem todos, fazerem tudo de novo, não ia aguentar. E é assim que meia dúzia de pessoas nos podem influenciar a vida para sempre, viva! À noite e nos meus sonhos serei sempre a pequena e tola e despistada e mais e mais e mais, que servia de saco de pancada para vós pessoas estúpidas. Serei sempre a indefesa personagem de outrora. Serei sempre tal e qual me vejo agora no espelho… O quê? Como é possível?
Solange Coimbra

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