sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma história de amor natural

Minha alma está despida como esta árvore que desenhei. A borracha apagou impiedosamente suas folhas, tal como tu me apagaste a mim. Apenas uma folha verde permanece, a esperança ainda não acabou. A árvore pode voltar a ter folhas e eu poderei voltar a amar.
De uma simples semente enterrada na terra, brota uma trémula árvorezinha, que de um tronco fino passa a frondosa. Desse mesmo tronco, um ramo, dois, três, se vão esticando, cada vez mais finos, quase a querer tocar os céus. Mas com medo de os arranhar. As folhas verdes e fofas brotam desses ramos e com uma brisa brincam suavemente com os céus enamorados. Desta junção da árvore e dos céus, as flores chegam. A brisa, traída, arranca todas as pétalas das lindas flores. Mas essas, já grávidas o tempo, deixam os frutos ao cuidado da árvore, que cuida deles até morrerem e no chão cair. No próximo ano, tudo voltará a acontecer... 
Solange Coimbra

Explicando o porquê deste texto: Foi feito numa aula (peço desculpa, mas às vezes as aulas chegam a um pouco que uma pessoa desespera, e ao menos fiz algo construtivo sem incomodar ninguém :p), no meu caderno. Comecei por (tentar) desenhar uma árvore que ficou assim meia esquisita, não tenho jeito para as artes e no espaço que ficou inspirei-me e escrevi este pequeno texto. Eu tirei foto à folha, assim vêm melhor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Uma conversa banal


Aproveitei cada momento que tive para te falar. Uma conversa banal e estritamente por questões profissionais, senão nunca mais ouviria a tua voz. Talvez a ouvisse, já que temos o mesmo local de trabalho, os mesmos colegas de equipa. Mas essas semelhanças não nos aproximam, só parecem afastar. Talvez por causa de um passado que partilhámos não há muito tempo e que dele só restaram nós dois e pó. Pó de uma lembrança já um pouco gasta, velha e suja, que parece ter acontecido num século passado mas que afinal é tão recente. As minhas feridas ainda custam em sarar, têm crostas e debaixo delas me encontro nua, sangrando, chorando por ti. Espero que sarem rapidamente, que um leve toque pode arrancar as crostas e deixar-me completamente vulnerável... a ti. Não sou imune, por isso tenho medo de ter uma nova ferida, voltar a amar-te. Mas o meu maior medo é ver a tua profecia realizar-se, morrer sozinha… Mas pior que morrer sozinha é morrer sem ti, continuar na dúvida de que tudo o que trabalhei por ti foi em vão ou não, se valeu a pena o esforço, a minha dedicação, 24 horas por dia, a ti. Mas continuarei sempre assim, de feridas abertas, a trabalhar contigo e a viver o que chamam de Vida. Talvez amanhã falaremos, ter uma pequena conversa amigável e rápida, mas só por razões profissionais.