quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A morte da Natureza

A história que aqui conto, eu a vi acontecer há dois dias na beira da minha janela, onde as personagens nos são tão próximos mas tão distânciacriminados pelo tamanho. Lá fora, num ramo do meu velho Limoeiro habitava a mais linda e invulgar Flor, não era brancarrosada, mas sim de um azul cor do céu. Esta pequena Flor era portanto a mais cobiçada entre os insectos que ali esvoaçavam. Em sua meninice, a Flor a todos arrebatava o coração com um sorriso (se nós gente, podemos sorrir, porque não também uma linda flor?) mas seu coração nunca entregava a ninguém. Mas aqui entra em cena uma Vespa Macho, todo aperaltado em negras e amarelas vestes, pousando-se nas pétalas da Flor. A Vespa em seu enorme ferrão fazia delirar todas as colmeias pois coleccionava pólen das mais lindas flores do jardim e as mais perfumadas das laranjeiras. E agora queria o pólen da Florzinha do Limoeiro.
Deixando-se seduzir pela beleza riscada do insecto, este aproveitou para lhe sugar todo o seu néctar, roubando-lhe a sua essência, ferrando-lhe o coração. A Flor, de coração partido, deixou-se murchar com o tempo. A brisa por enfim, a desprendeu do seu galho e a fez terrena. No entretanto passam dois Velhos Escaravelhos Negros pela Flor morta de fresco, entreolhando-se e perguntando-se se as injustiças iam perdurar. E quem teria feito aquilo a tão nova Flor que nem chegara a deixar sementes a modo de criar raízes?
- Causa de sua morte? O amor. – Ouve-se uma voz bem lá no fundo do quintal. E, olhando de repentinamente, não sei se era já sujidade do tempo na minha janela, me pareceu ver uma outra peculiar Flor acordar para o mundo nesse Limoeiro.
Solange Coimbra

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