Estou com calor e arrepios, olhos meio ensopados e vontade de rir, sem música e com vontade de dançar, sem sono e com vontade de dormir. Uma eterna confusão me assola, me prende ao chão imundo e frio. Por mais pessoas que haja à minha volta, sinto-me sempre, sempre sozinha. Sozinha porque sei que tudo o que sinto, o que penso e passo não é compreendido. Ver-te com tudo para seres feliz, teres a tua liberdade e não aproveitares, talvez, a única oportunidade que a Vida te dá de concretizares todos os teus sonhos confunde-me, enoja-me, entristecesse! Se não quizeres, dá-me a mim essa oportunidade. Defendê-la-ei de tudo e todos que ma tentarem tirar. Todos devemos ter uma chance dessas, não é? É o mais justo. Mas muitos não têm e os que têm não a vêem passar por eles. Deixa o orgulho e a arrogância masculina de lado, abre os olhos para o mundo, vê a sorte que tens! De te teres afastado da tua antiga e monótona vida que tanto te matava. Também me custava a mim ver-te sofrer dessa maneira, custou-me quando partiste, mas depressa descobri que não te podia censurar, faria exactamente o mesmo se pudesse. Mas desperdiçaste tudo o que tinhas. Tinhas tudo para teres agora, finalmente, uma vida normal e feliz, porque encontraste alguém que te desse o conforto que nunca tivemos. É com dor que escrevo estas palavras. Custou-me a adormecer a noite passada por tua causa, por pensar que poderias voltar para casa e voltar a sofrer, como eu agora sofro e morro lentamente. Odeio-te por isso! Por muito que te queira ao pé de mim, não permito que mais ninguém que amo passe pelo que passei e continuo a passar.
Abre os olhos meu irmão! Tens uma chance, nunca a deixes passar ao lado. Haverá sempre alguém que a utilize, melhor ou pior que tu.
Solange Coimbra
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