Vou vos deixar aqui com o texto que me fez ganhar o primeiro lugar de um concurso literário na minha antiga escola, e sim, admito que era este o meu conceito de vida naquela altura. E agradeço a quem me apoiou sempre. Vida, o período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres. Até o mais completo dicionário não aprendeu o significado desta palavra, a maior parte de nós passa pela vida sem dar por ela, num estado vegetativo, até a Ceifa nos colher. Eu nasci, vivo há cerca de uma década e meia e no entanto, tal como os vegetantes, nunca me senti realmente viva. Sinto-me a passar por este estado sem nunca ter experimentado o seu conteúdo. Porém, aprendi a ansiar por algo que me levasse para um sítio onde eu não fosse obrigada a existir. Um algures que nenhures fosse, onde planasse por todos os estados sem ter de lá permanecer.
Tanto ansiei que lá me encontro, vivendo entre a vida e a morte. Um passo para lá e dois para cá. Vou com a maré, sinto-me já fraca para batalhar contra as ondas que me engolem e consomem, eu, inteira, sopros de ar.
Vida, um comportamento. Todos os dias, todos os momentos requerem um sentimento diferente, uma abordagem diferente. É tão cansativo termos de nos sujeitar a viver. De certa forma, todos devemos nos comportar de maneira igual, mas ninguém acaba por cumprir. Eu, apenas existo, me arrastando, contra minha vontade, neste chão que todos os dias me vai tirando um pouco mais daquilo que não vivo.
Vida, princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade. Já tentei ter força para lutar, para existir mais um dia com o entusiasmo que sempre aparentei ter. É tudo uma questão de camuflagem, querendo pôr todos bem, mas acabando por querer tratar de mim.
Penso para mim, que é apenas mais um dia, monitorizado, acaba por passar e chega um dia novo, igual ao outro, em que eu vivo ansiosa por desaparecer. Viver não se mede pelo sucesso nem a felicidade de uma pessoa, é tudo um espelho que esconde a fragilidade de um ser verdadeiro e honesto, alguém que quer viver mas não o sabe fazer.
Vida, um conceito que não consigo aprender a viver. Não sei se serei a única a sentir-me assim. Num estado vegetativo, sem conseguir nem saber viver. É só um dia, uma fase? Já foi, sim. Agora é medo, receio de ter de viver mais um dia sem saber o que é o significado de o fazer. Já foram tantas páginas arrancadas do meu eterno confidente, manchado de tantas lágrimas que rolavam cheias de certeza de nada. Já não sei quem sou nem o que faço aqui, porque tenho de passar por este estado de vida, tão estranho e difícil de ultrapassar. Um teste complicado de perceber a finalidade. Quero gritar, dizer que estou aqui no mundo, que existo.
Solange Coimbra
