quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Amor-ódio

Há sempre alguma coisa para me distrair: tu
Não tenho tempo para estes joguinhos P., tenho que seguir em frente. Acabou tudo o que nunca tinha sido começado e aqui nos encontramos separadamente juntos. Eu sinto a tua falta, admito. Tenho a coragem de o dizer (ao contrário de ti) e sim, estou a sofrer pela tua ausência. Porque tinhas de ir para tão longe? O teu lugar é aqui, a chatear-me. Não me importa o que faças, desde que o faças comigo. Amo a nossa amizade estúpida, que me faz rir e chorar, querer-te abraçar e matar ao mesmo tempo. Esta relação amor-ódio que temos. que  nunca tive com ninguém e queria tanto preservá-la!
Fartei-me de esperar pela bonança, fiquei tão farta que fiz com que te fosses embora e aqui estou desamparada e sem o meu amigo, o meu irmão.  
Só espero que sejas feliz, onde quer que estejas e eu mudei, tal como querias. Fi-lo por ti, quero que fiques orgulhoso de mim em vez da desilusão que sentias antes de partires. 
"Tu mudaste", ainda ouço estas palavras, a arderem dentro do coração. Aquelas últimas palavras que trocámos antes de... Só gostava de puder voltar atrás e dizer-te que sim. Que me apoiaste sempre como eu te apoiei a ti quando precisaste, admitir que sim, eu amuava tal como tu fazias e sim, eu escondia os sentimentos tal como tu fazias. Aprendemos juntos a ser assim, mesmo feitio. 
Culpo-me por não te ter visto a desvanecer mesmo ali à minha frente. Culpo-me por tudo o que passámos juntos ter sido apenas uma (des)ilusão. Culpo-me por tudo o que nos aconteceu. 
E já nem sei se hei-de chorar se rir das minhas palavras, mas sei que escrevo isto com tudo o que sinto cá dentro. E só quero que me ouças, aí de cima que eu ainda estou viva e que não me podes tirar isso!
Para o P. com amor da tua amiga e irmã, O. Mais uma carta que deixo juntamente com as flores que apanhei, volto amanhã para trocá-las por umas novas. Que as mesmas te perfumem a campa.
Solange Coimbra

Sem comentários:

Enviar um comentário